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Hemoglobina glicada

• 1. Grupo Interdisciplinar de Padronização da Hemoglobina Glicada – A1C Atualização sobre Hemoglobina Glicada (A1C) para Avaliação do Controle Glicêmico e para o Diagnóstico do Diabetes: Aspectos Clínicos e Laboratoriais Posicionamento Oficial 2009 3ª Edição Posicionamento Oficial 2009 – Aspectos Clínicos e Laboratoriais – 15DEZ08 1

 

• 2. ATUALIZAÇÃO SOBRE HEMOGLOBINA GLICADA (A1C) PARA AVALIAÇÃO DO CONTROLE GLICÊMICO E PARA O DIAGNÓSTICO DO DIABETES: ASPECTOS CLÍNICOS E LABORATORIAIS Prefácio A hemoglobina glicada, também denominada hemoglobina glicosilada ou glico- hemoglobina, é conhecida ainda como HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C. Embora seja utilizada desde 1958 como uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos, a dosagem da A1C passou a ser cada vez mais empregada e aceita pela comunidade científica após 1993, depois de ter sido validada através dos dois estudos clínicos mais importantes sobre a avaliação do impacto do controle glicêmico sobre as complicações crônicas do diabetes: os estudos DCCT - Diabetes Control and Complications Trial (1993) e o UKPDS – United Kingdom Prospective Diabetes Study (1998). Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada como uma das principais metas no controle do diabetes.

 

Os dois estudos supramencionados indicaram que as complicações crônicas começam a se desenvolver quando os níveis de A1C estão situados permanentemente acima de 7%. Algumas sociedades médicas adotam, inclusive, metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C. O objetivo deste Posicionamento Oficial 2009 é o de promover uma atualização sobre o papel da hemoglobina glicada na avaliação do controle glicêmico e no diagnóstico do diabetes, abordando aspectos clínicos e laboratoriais sobre esse importante recurso diagnóstico. Visa, também, definir recomendações de padronização de métodos laboratoriais devidamente validados, bem como discutir os métodos alternativos que possam ser utilizados na prática laboratorial diária para a avaliação desse importante parâmetro diagnóstico. São Paulo, janeiro de 2009 Grupo Interdisciplinar de Padronização da Hemoglobina Glicada – A1C Posicionamento Oficial 2009 – Aspectos Clínicos e Laboratoriais – 15DEZ08 2

 

• 3. Grupo Interdisciplinar de Padronização da Hemoglobina Glicada – A1C Relação dos Representantes das Sociedades Médicas Participantes Coordenação Editorial DR. AUGUSTO PIMAZONI NETTO Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Centro Integrado de Hipertensão e Metabologia Cardiovascular do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. Coordenador do Projeto de Posicionamentos Oficiais da Sociedade Brasileira de Diabete. Consultor para Projetos de Educação e Controle do Diabetes Editores Médicos DR. ADAGMAR ANDRIOLO DR. FADLO FRAIGE FILHO Professor Livre-Docente de Patologia Clínica / Medicina Professor Titular de Endocrinologia da Faculdade de Medicina Laboratorial da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP – da Fundação ABC – Presidente da Federação Nacional das Consultor Médico do Fleury – Medicina e Saúde. Associações e Entidades de Diabetes (FENAD) e da ANAD. DR. MARCOS TAMBASCIA DRA. MARÍLIA DE BRITO GOMES Chefe da Disciplina de Endocrinologia do Departamento de Professora Adjunta da Universidade Estadual do Rio de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Janeiro. Atual Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes UNICAMP.

 

Presidente do Departamento de Diabetes da SBEM (2008-2009). e Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. DR. MURILO MELO DR. NAIRO MASSAKAZU SUMITA Médico Patologista Clínico. Professor-Assistente do Professor Assistente Doutor da Disciplina de Patologia Clínica Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Diretor de Diretor Técnico do Serviço de Bioquímica Clínica da Divisão de Comunicações da SBPC/ML. Diretor da World Association of Laboratório Central do Hospital das Clínicas da FMUSP. Societies of Pathology and Laboratory Medicine (WASPaLM). Assessor Médico da área de Bioquímica Clínica do Fleury Diretor de Patrimônio e Finanças da Associação Paulista de Medicina e Saúde. Medicina e Diretor Médico-Cientifico do Total Laboratórios. DR. RUY LYRA DR. SAULO CAVALCANTI Professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Professor Emérito da Disciplina de Endocrinologia da Médicas da Universidade de Pernambuco. Atual Presidente da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Presidente do Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Departamento de Diabetes da SBEM. Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. Posicionamento Oficial 2009 – Aspectos Clínicos e Laboratoriais – 15DEZ08 3

 

• 4. ÍNDICE PARTE 1: ASPECTOS CLÍNICOS 1. Conceito de hemoglobina glicada 5 2. Implicações clínicas dos níveis elevados de hemoglobina clicada 7 3. Testes diagnósticos baseados na glicação de proteínas 8 4. Correlação entre o nível de A1C e os níveis médios de glicose sangüínea 9 5. O impacto das glicemias mais recentes é maior do que o das “mais antigas” sobre 11 os níveis de A1C 6. Freqüência recomendada para a realização dos testes de A1C 12 7. Níveis recomendados de A1C em populações especiais 13 8. Tempo para o retorno ao normal dos níveis de A1C depois da normalização dos 15 níveis de glicose sangüínea mediante tratamento adequado 9. A meta de 7% de A1C é aplicável a alguns métodos laboratoriais, mas não a todos 16 os métodos disponíveis 10. A hemoglobina glicada como teste de rastreio para o diabetes 17 11. Implicações clínicas na interpretação dos resultados do teste de A1C 18 Referências bibliográficas - Aspectos Clínicos da A1C 20 Posicionamento Oficial 2009 – Aspectos Clínicos e Laboratoriais – 15DEZ08 4

 

• 5. PARTE 2: ASPECTOS LABORATORIAIS 1. O papel do laboratório de patologia clínica na determinação da hemoglobina 21 glicada 2. O que é hemoglobina glicada ou A1C? 23 3. O processo de formação 24 4. As nomenclaturas adotadas por este Posicionamento Oficial 24 5. Análise laboratorial 26 • Fase pré-analítica 26 • Fase analítica 31 • Fase pós-analítica 37 6. Tendências 38 Referências bibliográficas - Aspectos Clínicos da A1C 40 Posicionamento Oficial 2009 – Aspectos Clínicos e Laboratoriais – 15DEZ08 5

 

• 6. PARTE 1: ASPECTOS CLÍNICOS 1- CONCEITO DE HEMOGLOBINA GLICADA O termo genérico “hemoglobina glicada” refere-se a um conjunto de substâncias formadas com base em reações entre a hemoglobina A (HbA) e alguns açúcares. O termo “hemoglobina glicosilada” tem sido erroneamente utilizado como sinônimo de hemoglobina glicada. O processo de “glicação” de proteínas envolve uma ligação não enzimática e permanente com açúcares redutores como a glicose, ao contrário do processo de “glicosilação”, que envolve uma ligação enzimática e instável [1]. Figura 1: Moléculas de glicose ligadas à molécula de hemoglobina, formando a hemoglobina glicada (A1C) A HbA é a forma principal e nativa da hemoglobina, sendo que a HbA0 é o principal componente da HbA. Na prática, esta corresponde à chamada fração não glicada da HbA. Por outro lado, a HbA1 total corresponde a formas de HbA carregadas mais negativamente devido à adição de glicose e outros carboidratos. Existem vários subtipos de HbA1 cromatograficamente distintos, tais como HbA1a1, HbA1a2, HbA1b e HbA1c. Desses todos, a fração HbA1c, ou apenas A1C, é a que se refere à hemoglobina glicada propriamente dita, cujo terminal valina Posicionamento Oficial 2009 – Aspectos Clínicos e Laboratoriais – 15DEZ08 6

 

• 7. da cadeia beta está ligado à glicose por meio de uma ligação estável e irreversível. Figura 2: As diferentes frações da hemoglobina. No decorrer dos anos ou das décadas, a hiperglicemia prolongada promove o desenvolvimento de lesões orgânicas extensas e irreversíveis, afetando os olhos, os rins, os nervos, os vasos grandes e pequenos, assim como a coagulação sangüínea. Os níveis de glicose sangüínea persistentemente elevados são tóxicos ao organismo por três mecanismos diferentes: mediante a promoção da glicação de proteínas, pela hiperosmolalidade e pelo aumento dos níveis de sorbitol dentro da célula, conforme apresentado na ilustração abaixo [2]. Figura 3: Mecanismos de desenvolvimento das complicações crônicas do diabetes (Adaptado de Referência 2) Posicionamento Oficial 2009 – Aspectos Clínicos e Laboratoriais – 15DEZ08 7

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